Se você acabou de chegar na Austrália do Brasil, provavelmente já passou por isso: precisa ver um especialista, mas ao tentar marcar a consulta, te dizem: “Você precisa primeiro passar pelo GP”.

A primeira reação é achar que é só burocracia, mais uma etapa que atrasa a sua vida. Mas não é só isso. Esse é o jeito que o sistema de saúde funciona aqui – e, acredite, é pensado para que você receba o cuidado certo, no momento certo, com a pessoa certa.

Na prática, a Austrália trabalha com três níveis de atenção: Atenção Primária, Atenção Secundária e Atenção Terciária. Cada um deles tem uma função para que o sistema não colapse, já que a quantidade de especialistas é muito baixo.

 

Nível 1: Atenção Primária: O GP Como Porta de Entrada

A atenção primária é o primeiro ponto de contato para quase todas as questões de saúde que não são emergências. Na Austrália, o GP é a figura central desse nível, lidando com prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento de diversas condições.

Quando necessário, o GP fornece um encaminhamento para o próximo nível de atenção, que além de permitir o acesso ao especialista, leva informações médicas essenciais sobre o seu caso.

 

Nível 2: Atenção Secundária: Serviços Especializados

A atenção secundária envolve profissionais com conhecimento avançado em áreas específicas – como cardiologistas, dermatologistas, ortopedistas e psiquiatras. Quase sempre, você só consegue acesso a esse nível com encaminhamento do GP. Isso garante que os especialistas se dediquem a casos mais complexos e, se você chegar até aqui, vai receber um cuidado muito mais direcionado.

 

Nível 3: Atenção Terciária: Casos de Alta Complexidade

A atenção terciária é o nível mais especializado, geralmente oferecido em grandes hospitais ou centros de referência. Inclui cirurgias complexas, tratamentos avançados contra o câncer, transplantes de órgãos e outros procedimentos de alta complexidade. O acesso costuma ser feito por encaminhamento de um especialista.

 

Por que o sistema é assim?

Ao filtrar os pacientes pela atenção primária, a Austrália evita a sobrecarga de especialistas e garante acesso mais rápido para quem mais precisa. Em um país com alta demanda e falta de profissionais em algumas regiões, isso é essencial. Esse sistema também uma forma mais econômica de gerenciar os recursos de saúde – passando pelo GP primeiro, talvez você consiga resolver o problema ali mesmo, sem precisar ir além.

 

O que isso significa para você:

Se você se sentir frustrada por “ter que” passar pelo GP, tente olhar por outro ângulo: ele não é só um porteiro, é a sua primeira camada de cuidado. Pode resolver muita coisa, economizar tempo e dinheiro e, se for necessário um especialista, o encaminhamento vai facilitar e agilizar o processo.

Para quem é novo no país, entender esse caminho evita frustrações e ajuda a navegar pelo sistema de saúde com mais segurança.

 

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