No fundo, esse medo faz sentido. Nós somos seres relacionais. Precisamos de pertencimento, aceitação e conexão. A possibilidade de sermos julgados pode ser vivida como uma ameaça a tudo isso. É por isso que tantas pessoas escolhem o silêncio. Não porque não precisam de ajuda, mas porque proteger a forma como são vistas parece mais seguro do que mostrar o que estão vivendo.
As pessoas me julgarão por fazer terapia? Entendendo por que o estigma pesa tanto
Do ponto de vista psicológico, o medo do julgamento está profundamente ligado à vergonha. Vergonha é diferente de culpa. Enquanto a culpa fala sobre algo que você fez, a vergonha fala sobre quem você acredita ser. Quando sofrimento emocional se mistura com vergonha, você pode começar a acreditar que sentir-se mal significa que há algo errado com você. A World Health Organization reconhece o estigma e a discriminação como barreiras importantes para o cuidado em saúde mental em todo o mundo. O problema é que esse estigma não fica apenas no ambiente externo. Ele se internaliza. E muitas vezes é aí que ele ganha mais força. Segundo a Healthdirect Australia, o estigma pode fazer com que as pessoas sintam vergonha, isolamento e menos disposição para buscar tratamento.
Para imigrantes, esse medo costuma ser ainda mais complexo. Muitas culturas ainda tratam saúde mental como tabu. Terapia pode ser vista como algo extremo, ou até como algo reservado para quem “não está bem da cabeça”. Em alguns contextos familiares, falar sobre sofrimento emocional é visto como exposição ou fraqueza. Além disso, existe a própria experiência migratória.
Quando você muda de país, seu senso de pertencimento muitas vezes se torna mais delicado. A necessidade de construir vínculos, ser aceita e encontrar seu espaço aumenta. E com isso, o medo de ser mal interpretada também cresce. Se você já se sente deslocada em determinados espaços, a possibilidade de mais uma camada de julgamento pode parecer insuportável. E isso faz com que muitas pessoas carreguem luto, solidão, ansiedade e confusão de identidade em silêncio. Não porque a dor é pequena, mas porque o custo social de falar sobre ela parece grande demais.
As pessoas me julgarão por fazer terapia? Por que sua saúde mental precisa importar mais do que a opinião dos outros
A verdade é simples: as pessoas podem julgar. Mas o julgamento delas não torna sua dor menos válida. Terapia não é algo que você faz para os outros entenderem. É algo que você faz para entender a si mesma. Quando você toma decisões emocionais baseadas apenas em evitar julgamento, muitas vezes acaba se abandonando no processo. Você se cala para continuar sendo aceita. Minimiza sua dor para não gerar desconforto nos outros.Mas esse silêncio tem um preço. O estigma pode atrasar o tratamento, reduzir a autoestima e aumentar o sofrimento emocional. Ou seja, o medo do julgamento não protege você. Muitas vezes, ele prolonga a dor. A terapia oferece algo diferente. Um espaço confidencial onde sua experiência importa mais do que a imagem que você projeta.
Para imigrantes, isso pode ser ainda mais transformador. A experiência migratória envolve perdas que nem sempre são visíveis. Perda de familiaridade, de referências, de vínculos e, muitas vezes, de partes da própria identidade. Ter uma psicóloga que compreende a experiência migratória significa não precisar explicar o básico. Existe uma escuta que reconhece essas camadas e permite um trabalho mais profundo. Muitas vezes, quem julga a terapia está falando a partir das próprias limitações, crenças ou medos. E as limitações deles não precisam definir suas escolhas. Buscar terapia não significa que há algo errado com você. Significa que você está escolhendo cuidar de si mesma, mesmo que isso desafie expectativas externas.E essa escolha pode mudar muita coisa.
Se o medo do julgamento tem impedido você de buscar ajuda, talvez seja hora de se perguntar de quem é a opinião que você tem protegido às custas do seu próprio bem-estar. Procurando por uma psicóloga que vai entender as suas nuances justamente por ser imigrante? A Talking Works pode te ajudar! Nosso time oferece terapia em Português, Inglês e Espanhol, pessoalmente (em Melbourne) ou online. Clique aqui para nos enviar uma mensagem.
